Astronomia na Bandeira Brasileira

04.07.2017

 

 

Os criadores da nossa bandeira tiveram a intenção de representar seu círculo interno em azul, a imagem de uma esfera inclinada de acordo com a latitude da cidade do Rio de Janeiro às 8h da manhã no dia 15 de novembro de 1889, momento em que a constelação cruzeiro do sul encontrava-se com o braço maior na vertical e no meridiano do Rio de Janeiro.

 

As estrelas foram posicionadas de forma espelhada na bandeira, isso significa que estão sendo vistas por um observador que está fora da esfera celeste. Se uma pessoa pudesse estar fora da esfera terrestre, enxergaria um céu invertido em relação a quem observa daqui da Terra; ou ainda representada de forma que o observador possuísse o globo celeste em suas mãos.

 

ALGUMAS INFORMAÇÕES SOBRE AS ESTRELAS

 

Em nomenclatura de estrelas, segue a seguinte regra: são classificadas em ordem crescente de luminosidade; onde em cada constelação as estrelas mais brilhantes são de primeira grandeza recebendo o nome de Alfa que são as primeiras visíveis após o pôr do sol. São seguidas pela segunda estrela mais brilhante, de segunda grandeza recebendo o nome de Beta; a terceira mais brilhante de Gama; e assim sucessivamente até a sexta grandeza que é o nosso limite de visibilidade a olho nu.

 

Na bandeira do Brasil são representadas estrelas de cinco grandezas diferentes, visíveis a olho nu em todo o país, porém em diferentes épocas do ano.

 

As estrelas da bandeira do Brasil foram representadas com cinco pontas e com cinco dimensões diferentes, procurando representar sua grandeza, embora sem equivalência direta com as magnitudes astronômicas. Foram consideradas cinco escalas de magnitude: 0,30, 0,25, 0,20, 0,14 e 0,10 vezes 1/14 da largura da bandeira, que foi concebida na proporção 14 x 20.

 

 (Fonte da imagem: zênite.nu)

 

CONTELAÇÕES DA BANDEIRA

 

A bandeira do Brasil possui nove constelações, totalizando 27 estrelas. As constelações presentes são: Cruzeiro do Sul, Cão Maior, Escorpião, Triângulo Austral, Cão Menor, Hidra Fêmea, Virgem, Carina e Oitante.

(Fonte da imagem: Observatório Nacional)

 

 

CRUZEIRO DO SUL

 

A constelação cruzeiro do sul é uma das mais fáceis de se identificar no céu sendo a constelação meridional mais famosa. Seu formato característico foi um marco para a navegação, pois ao encontrar a constelação, basta a estender na direção do pé da cruz, em aproximadamente 4,5 vezes demarcando o pólo celeste sul. Abaixo segue os estados representados nessa constelação, o nome das estrelas e suas magnitudes.

 

CÃO MAIOR

 

Cão Maior é uma constelação do hemisfério celestial sul. A estrela mais brilhante do céu noturno encontra-se na constelação; trata-se da estrela Sirius localizada a 8,611 anos-luz da Terra.

 

ESCORPIÃO

 

A constelação de escorpião é uma das que mais se destacam no céu, facilmente visível entre o outono e o inverno no Brasil. Sua estrela mais brilhante é Antares localizada a 619,7 anos-luz da Terra.

 

TRIÂNGULO AUSTRAL

 

Vizinho da constelação de Centauro, o triângulo austral é relativamente fácil de localizar no céu devido ao seu formato e por estar próximo de duas estrelas muito brilhantes a olho nu, nomeadas de Rigil Kent e Hadar.

 

 

CÃO MENOR, HIDRA FÊMEA, VIRGE, CARINA E OITANTE

 

Cão menor localiza-se próxima a constelação de Órion e a estrela mais brilhante é Prócion. Essa estrela é a única que pertence ao hemisfério celeste Norte, fazendo analogia ao nosso país que também possui parte de seu território no hemisfério norte.

 

Hidra Fêmea é uma ampla constelação, interceptada pelo equador celeste, sua estrela principal é Alphard.

 

Virgem é uma constelação ligada a agricultura e na bandeira apenas uma estrela da constelação de virgem é representada, a estrela em questão é Spica que é a mais brilhante da constelação localizada á 260,9 anos-luz da Terra.

 

A constelação Carina fazia parte de uma constelação maior chamada O Navio Argo, sendo dividida outras constelações posteriormente. A única estrela representada na bandeira é Canopus, a segunda mais brilhante do céu.

 

Oitante é uma constelação do hemisfério celestial sul, do nosso ponto de vista, todas as demais estrelas giram em torno dela. Devido a esse destaque sua estrela Sigma do oitante foi escolhida para representar Brasília.

 

 

É possível observar que a escolha da estrela representante de cada estado busca assemelhar-se entre a localização do estado brasileiro e a localização da estrela no céu de uma forma flexível. Por isso estados “centrais” como por exemplo o Rio de Janeiro, estão representados com as estrelas do Cruzeiro do Sul; estados a oeste estão representados por estrelas do Cão Maior e assim sucessivamente.

 

 

VALE A PENA RESSALTAR

 

O modelo utilizado na bandeira nos trás uma esfera celeste, predominando a perspectiva geocêntrica de observação, no caso, a Terra estaria fixa e os demais astros girariam a seu redor.

 

A representação da esfera celeste é uma forma simplificada não levando em conta a profundidade do céu e o fato que as estrelas estão a diferentes distâncias e não sobre uma superfície. Essa representação foi escolhida, pois se fosse levar em conta uma maior rigorosidade com a realidade, seria muito complicado representar um modelo de céu.

 

 

 

Esse texto não poderia ter sido escrito sem as pesquisas nos cósmicos:

www.zenite.nu

www.observatorio.ufmg.br

www.cdcc.usp.br

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