TRAPPIST-1 e seus 7 Planetas do tamanho da Terra

24.02.2017

Ilustração de um artista sobre a superfície de um planeta que orbita a estrela TRAPPIST-1.

Credito: NASA/JPL-Caltech

 

 

E o dia 22 de fevereiro de 2017 foi um dia marcantes para os habitantes da Terra. 7 planetas do tamanho do nosso foram descobertos orbitando uma pequena estrela anã, e todos eles com posssibilidade de suporte a vida, como diz um novo estudo.

 

"Procurando por vida lá fora, esse sistema é nossa melhor aposta até agora" diz o co-autor Brice-Olivier Demory, professor no Centro de Espaço e Habitalidade na universidade de Bern na Suiça.

 

Esses 7 planetas orbitam a estrela TRAPPIST-1, que fica a apenas 39 anos-luz da Terra. Especulações sobre o potencial de abrigar vida devem ser informados em breve após coleta de muitos dados, dizem os membros do time de pesquisa sobre esse sistema.

 

"Podemos esperar que, dentro de alguns anos, nós saberemos muito mais sobre esses planetas e com esperança, se há vida neles" diz o co-autor Amaury Triaud do Instituto de Astronomia da universidade de Cambridge na Inglaterra.

 

 

UM SISTEMA INCRÍVEL

 

TRAPPIST-1 é uma estrela anã super fria que é apenas um pouco maior que o nosso conhecido planeta Júpiter e cerca de 2.000 vezes menos brilhante que o sol.

 

O time de pesquisa, liderado por Michaël Gillon da Universidade de Liège na Bélgica, originalmente estudou a estrela usando o Transiting  Planets and Planetesimals Small Telescope (TRAPPIST), o Pequeno Telescópio para Trânsito de Planetas e Planetesimais (em tradução livre), um instrumento no observatório de La Silla no Chile. Isso explica o nome da estrela, que também é conhecida como 2MASS J23062928-0502285.

 

TRAPPIST observou momentos de variação de brilho regularmente, que o time de pesquisa interpetou como uma evidência de 3 planetas diferentes, cruzando a face, ou transitando, a estrela. Em maio de 2016, Gillon e seus colegas anunciaram a existência desses 3 planetas, chamados de TRAPPIST-1b, TRAPPIST-1c e TRAPPIST-1d. Todos os 3, de acordo com o time, são aproximadamente do tamanho da Terra e podem ser capazes de suportar vida.

 

Orbitas dos planetas de TRAPPIST-1 comparadas ao nosso sistema solar e às luas galilelianas de Júpiter.

Credit: ESO/O. Furtak

 

Na imagem acima, podemos ter uma melhor ideia do tamanho desse sistema. Todos os 7 planetas orbitando TRAPPIST-1 cabem dentro de uma faixa de 5 milhões de quilômetros de diâmetro. Todos eles são próximos uns aos outros, fazendo que no céu de cada um, você possa ver todos os outros planetas, e os mais próximos podem até lembrar a nossa lua, em fases. Imaginar um sistema assim, é simplesmente incrível. Destacando esse atributo do sistema, a Nasa também apresentou um poster temático de viagem a um desses planetas, o Trappist-1e, que está na zona habitável essa estrela:

 

 

Poster conceitual dos sistema TRAPPISST-1, disponibilizado pela NASA.

Credit: NASA-JPL/Caltech

 

Os astrônomos continuaram estudando os sistema, usando o telescópio TRAPPIST e um número de outros telescópios terrestres. Esse trabalho sugeriu que o suposto trânsito de TRAPPIST-1d era causado por mais de um planeta e também revelou a evidência de possíveis mundos adicionais no sistema.

 

Uma campanha de 3 semanas de observação pelo telescópio Spitzer da Nasa em Setembro e Outubro de 2016 ajudou a clarear tudo. A observação de Spitzer confirmou a existência dos planetas b e c, mas também revelou que 3 planetas são responsáveis pelo sinal original detectado através de TRAPPIST-1d e Spitzer também observou mais outros 2 exoplanetas no sistema, totalizando 7.

 

Esses sete planetas, a qual Gillon e seus colegas anunciaram no nosso estudo, publicado online em 22 de Fevereiro de 2017, no jornal Nature, são aproximadamente do tamanho da Terra. O menor é cerca de 75% a massa da Terra, enquanto que o maior é apenas 10% mais pesado que nosso planeta.

 

"Essa é a primeira vez que tantos planetas desse tipo são encontrados orbitando a mesma estrela," Gillon disse na conferência do dia 22/02.

 

Todos os 7 planetas ocupam orbitas apertadas, ficando mais próximos da estrela anã TRAPPIST-1 o que Mercúrio fica do nosso Sol. O período orbital dos 6 planetas internos variam de 1,5 dias até 12,4 dias; o planeta exterior, o último, conhecido como TRAPPIST-1h pode completar sua orbita em 20 dias (Spitzer só observou 1 trânsito de TRAPPIST-1h, então seu caminho orbital não é bem conhecido).

 

O arranjo dos planetas sugere que os mundos se formaram bem longe da estrela, onde a água existia em abundância e então migraram para suas posições atuais, diz o time de pesquisa.

Dados coletados por vários telescópios sugerem que todos os 6 planetas interiores são rochosos, como a Terra; ainda não se sabe o suficiente para determinar a composição de cada um deles.

 

 

Comparativo entre o nosso sistema solar e o sistema TRAPPIST-1

Crédito: NASA-JPL/Caltech

 

 

MUNDOS HABITÁVEIS

 

Porque os 7 planetas orbitam tão próximos uns dos outros, eles provavelmente estejam numa prisão gravitacional (tidal locking) disse Gillon. Isso é, eles provavelmente sempre mostrem a mesma face para a estrela a qual orbitam, assim como a nossa Lua mostra apenas um lado para nós.

 

Poderosos puxões gravitacionais, todos de TRAPPIST-1 e seus planetas, poderiam aquecer consideravelmente o interior dos mesmos, levando a muita atividade vulcânica, principalmente nos 2 planetas mais próximos, acrescentam os cientistas.

 

Apesar dessas características - muita proximidade a estrela e prisão gravitacional -  o sistema TRAPPIST-1 é um lugar promissor na busca por vida, diz o time de estudos.

 

TRAPPIST-1 é tão pequeno e frio que sua "zona habitável" - distância onde a água pode ser encontrada em estado líquido -  é bem próxima da estrela. E até planetas em prisão gravitacional são considerados como potencialmente habitáveis, contanto que eles possuam atmosferas que possam transportar calor da parte iluminada para a parte escura, diz Gillon.

 

"Você teria uma temperatura em gradiente, mas não é catastrófico para a vida", ele acrescenta.

Análises feitas pelo time de pesquisadores sugere que 3 dos 7 planetas (e, f e g) estão na zona habitável. E é provável que, com as condições atmosféricas corretas, água - e consequentemente, vida como a conhecemos - poderiam existir em todos os 7, diz Gillon.

 

Tal especulação é preliminar, ele e os outros membros do time acrescentam. Mais dados serão necessários antes que a habitalidade dos planetas de TRAPPIST-1 possa ser dada com certeza. Tal trabalho já está sendo feito. O time têm estudado as atmosferas dos planetas com o telescópio Hubble da Nasa por exemplo. Caracterização detalhada, e a busca por possíveis sinais de vida, como oxigênio e metano terão que esperar até que instrumentos mais potentes se tornem disponíveis, disse Triaud. Mas essa espera não deve ser longa; O telescópio de 8.8 bilhões de doláres, James Webb da Nasa está previsto de ser lançado em 2018 e os gigantes  European Extremely Large Telescope e o Giant Magellan Telescope estão marcados para estarem disponíveis do começo para o meio dos anos de 2020.

 

"Eu acho que nós demos um passo crucial em descobrir se há vida lá fora," comenta Triaud. "Se a vida conseguiu prosperar, e liberar gases similares com aqueles que temos na Terra, então saberemos."

O sistema TRAPPIST-1 tem pelo menos 500 milhões de anos. Anãs super frias como a TRAPPIST-1 geralmente vivem por 4 a 5 trilhões de anos, cerca de 1000 vezes mais que que estrelas como o nosso Sol.

 

Comparativo entre as zonas habitáveis do sistema TRAPPIST-1 e o nosso.

Crédito: NASA-JPL/Caltech

 

PROCURANDO POR VIDA ALIENÍGENA
 

Se existissem formas de vida em um ou mais dos mundos de TRAPPIST-1, o que eles veriam? Devido aos pouco brilho da estrela, até o céu do dia nunca seria tão claro quanto o da Terra depois do por do sol, diz Triaud. (Ainda sim, o ar seria quente, porque a maior parte da luz de TRAPPIST-1 é infravermelha, não visível. E tudo seria impregnado em algum tipo de brilho cor de salmão).

 

"O espetáculo seria lindo, porque de vez em quando você poderia ver outro planeta, talvez duas vezes maior que a nossa Lua no céu, dependendo de qual planeta você está," comenta Triaud.

Trabalho futuros podem ajudar determinar o quão comuns são esses tipos de paisagens no contexto cósmico.

 

"Cerca de 15% das estrelas em nossa vizinhança são estrelas muito frias como TRAPPIST-1, e temos uma lista de 600 alvos para observar no futuro". 

 

 

Confira o anúncio oficial feito pela NASA abaixo:
 

 

Bons céus!

 

Adaptado de: Space.com 

 

 

 

 

 

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